Duas longas-metragens portuguesas na 79ª edição do Festival Internacional de cinema de Locarno

Duas longas-metragens portuguesas na 79ª edição do Festival Internacional de cinema de Locarno

A edição 79 do Festival de Cinema de Locarno decorre entre os dias 5 e 15 de Agosto. Este ano a atriz Isabella Rossellini recebe o prémio honorário.

Margarida Vaz - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa

A programação da 79ª edição do Festival Internacional de cinema de Locarno tem em destaque duas longas-metragens portuguesas. O filme "Guerrilha no Asfalto", de Edgar Pêra está na secção não competitiva e o filme "O Jacaré", do cineasta luso-suíço Basil da Cunha está na secção competitiva, na corrida pelo prémio principal, o Leopardo de Ouro.
"O Jacaré" de Basil da Cunha à conquista de Leopardo de Ouro, em Locarno
"O Jacaré" de Basil da Cunha está na competição principal do Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça. O realizador luso-suíço apresenta um filme que celebra a Reboleira e a sua comunidade, a estreia mundial dá-se na competição internacional do Festival de Locarno.“O Jacaré” é um filme que representa uma comunidade
Selecionado para a competição internacional de Locarno, “O Jacaré” é uma coprodução luso-suíça que representa oficialmente a Suíça e Portugal. No entanto, para Basil da Cunha, o filme vai para além das fronteiras nacionais. "O filme representa essencialmente uma comunidade", afirmou à jornalista Margarida Vaz, referindo-se à Reboleira, bairro onde desenvolve o seu trabalho cinematográfico há vários anos.Uma homenagem à Reboleira
O realizador explica que “O Jacaré” encerra um ciclo iniciado com várias curtas-metragens e três longas anteriores. "É uma espécie de última dança", disse, revelando que reuniu várias gerações de atores da comunidade para celebrar um bairro que, considera, "é muitas vezes falado pelos motivos errados". Para Basil da Cunha, o cinema tem ajudado a devolver "um sentimento de orgulho" à Reboleira.Um policial para retratar um bairro
O filme “O Jacaré” parte do desaparecimento de uma mala com 180 mil euros após um assalto falhado, mas o mistério serve apenas de ponto de partida para fazer um retrato coletivo de uma comunidade. "Não me interessa tanto o dinheiro, mas o que ele revela sobre os desejos, os conflitos, a solidariedade e o humor de um bairro", explica Basil da Cunha. O realizador diz que se inspirou no cinema “blaxploitation” dos anos 70 e nos policiais norte-americanos dos anos 90 e descreve “O Jacaré” como "um filme de Verão, luminoso, pop", onde ação, música e humor convivem com a violência.Locarno como palco do cinema independente
Basil da Cunha destaca a importância do Festival de Locarno, onde apresenta um filme pela terceira vez. "É um sítio muito importante para o nosso cinema", afirmou, elogiando um festival que continua a dar espaço a obras mais independentes e humanas, fora dos padrões dos grandes certames internacionais."A minha casa é a Reboleira"
Apesar de regressar ao país onde nasceu, o realizador Basil da Cunha garante que considera a verdadeira casa o bairro onde vive e filma. "A minha casa é a Reboleira", diz o cineasta. E acrescenta que o cinema é a forma que encontrou para dar a conhecer "as virtudes e a arte" existentes naquela comunidade, que considera a verdadeira protagonista do filme “O Jacaré”.

“À Côté”, “Até Ver a Luz”, “O Fim do Mundo”, “Manga D'Terra” são filmes que Basil da Cunha já levou a Locarno. Este ano marca presença com a longa-metragem “O Jacaré”.

Entrevista de Basil da Cunha à jornalista Margarida Vaz.“Guerrilha no Asfalto” de Edgar Pêra
Entre ficção e realidade, Edgar Pêra estreia "Guerrilha no Asfalto" em Locarno

O realizador Edgar Pêra apresenta “Guerrilha no Asfalto” como um filme de "guerrilha cinematográfica", onde ficção, realidade e inteligência artificial se cruzam numa reflexão política e artística.Locarno volta a receber Edgar Pêra
Dois anos depois da estreia de “Cartas Telepáticas” no Festival de Locarno, Edgar Pêra regressa ao festival de cinema suíço com “Guerrilha no Asfalto”, o filme integra a seleção oficial não competitiva. À jornalista Margarida Vaz, o realizador confessa que o interesse do diretor do festival pelo seu trabalho foi determinante para esta nova presença. "É um encontro feliz", afirmou, sublinhando que esta secção oferece "uma atenção maior e mais descomprometida" ao filme.“Guerrilha no Asfalto” é um filme para partilhar com os amantes de cinema
Para Edgar Pêra, “Guerrilha no Asfalto” é, também, uma declaração sobre a própria criação cinematográfica. "É um filme sobre a guerrilha no cinema", explica e defende que a arte deve ser partilhada e colocada ao serviço dos outros. O realizador Edgar Pêra acredita que o festival é o espaço ideal para reunir cinéfilos e criadores em torno desta proposta.Locarno é um festival à medida do cinema de autor
Com uma ligação a Locarno desde 2001, Edgar Pêra considera que o festival se distingue pelo ambiente e pela proximidade entre público e cineastas. "Não é um festival de show off", afirma. Refere ainda que o foco está nos filmes e na programação, tornando-o um contexto privilegiado para acolher obras independentes e experimentais.Uma ficção inspirada em factos "surreais"
Baseado no livro “Guerrilha no Asfalto das FP-25 e o Tempo Português”, de Manuel Ricardo Sousa, o filme parte de um episódio ligado às FP-25 para construir uma narrativa que cruza memória pessoal, política e ficção. "É uma ficção baseada em factos surreais", resume o realizador Edgar Pêra e acrescenta que a obra é difícil de definir por desafiar constantemente as expectativas do espectador.Entre a política e a inteligência artificial
Edgar Pêra assume que este é um dos seus filmes mais pessoais e políticos, integrando, na narrativa, episódios da sua própria vida. O cineasta revela, também, que o filme mistura imagens documentais, ficção e inteligência artificial para criar "um território de incerteza", refletindo uma época em que "ficção e realidade se confundem cada vez mais".

Filmes de Edgar Pêra que passaram pelo Festival Internacional de Locarno: “A Janela (Maryalva Mix)”, “O Homem-Teatro, Lisbon Revisited”, “Cartas Telepáticas” e em 2m 2016, alonga-metragem agora “Guerrilha no Asfalto”.

Entrevista de Edgar Pêra à jornalista Margarida Vaz.

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